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Vacinas foram aprovadas no Brasil; tire dúvidas sobre imunização

O uso emergencial de duas vacinas foi liberado no Brasil pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no último domingo (17). A CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, é a opção que já está disponível em solo brasileiro —com 11 milhões de doses prontas e 6 milhões autorizadas pelo aval da agência.

A vacina da Universidade de Oxford/AstraZeneca, que será produzida no Brasil pela Fiocruz, ainda não se encontra no país. A viagem para buscar as doses produzidas na Índia foi vetada pelo país, que alegou que era preciso começar primeiro sua própria campanha de vacinação, o que ocorreu no último sábado (16).

Com o PNI (Plano Nacional de Imunização) com previsão para começar nesta segunda-feira (18), de acordo com o ministro da Saúde, muitos brasileiros ainda têm dúvidas sobre a proteção e os hábitos que devem seguir após receberem o imunizante. VivaBem conversou com especialistas para responder às dúvidas mais comuns:

Vacinas foram aprovadas no Brasil; tire dúvidas
Já tive covid-19, preciso tomar a vacina?
Para garantir a proteção, sim. Conforme explica o imunologista Gustavo Cabral, pesquisador da USP (Universidade de São Paulo)/Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo) e colunista do UOL VivaBem, em tese, quem já foi infectado pelo Sars-CoV-2 já estaria naturalmente vacinado, já que o sistema imunológico já foi ativado e desenvolveu uma proteção e uma memória imunológica para que, quando tiver contato novamente com o vírus, o corpo possa se proteger da doença.

Mas para certificar-se de que essa proteção é duradoura e suficiente — já que alguns estudos científicos mostram que assintomáticos, por exemplo, não desenvolveram memória imune duradoura — seriam necessárias pesquisas científicas com recortes específicos para esses pacientes, o que ainda não foi realizado em grande escala.

Por enquanto, algumas dúvidas para quem já foi infectado ainda ficam: Seria apenas uma vacinação? Como um reforço para estimular o sistema imune a gerar uma memória imunológica mais eficiente? Ou precisaria das duas doses estipuladas para a maioria das vacinas?

Portanto, o PNI (Plano Nacional de Imunizações) não prevê a separação de quem já foi infectado com o vírus, e o ideal é que essas pessoas também recebam a vacina.

Depois de quantos dias a vacina começa a fazer efeito?
A proteção não é imediata. "Existem vacinas que, se a gente espera quinze dias após a primeira dose, 50% das pessoas que a tomaram já terão desenvolvido alguma proteção, enquanto a outra metade, nada", explicou Luís Fernando Aranha, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, à Lúcia Helena, colunista de VivaBem.

De acordo com Álvaro Costa, infectologista do HC-SP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), quatro semanas após a segunda dose é um período de tempo considerado suficiente para que a defesa imunológica da maioria das pessoas desenvolva uma resposta robusta. "No caso da Coronavac, já conseguiríamos os benefícios descritos na pesquisa: impedir formas graves, internações e a proteção de 50,38% para casos leves."

Preciso mesmo tomar duas doses da vacina?
Sim. Segundo Costa, é essencial tomar as duas doses, como o intervalo previsto nos estudos, já que foi assim que os estudos científicos demonstraram que o imunizante fornece a proteção adequada.

"Pode até ser que uma só dose promova algum grau de proteção, mas não sabemos quanto, já que a eficácia divulgada foi referente a duas doses. Para controlar a pandemia, é muito importante que todos sigam as medidas preconizadas pelo protocolo do plano de vacinação, que tem como base os resultados dos testes", indica.

Conforme explica a colunista Lúcia Helena ao descrever o processo da construção de defesa imunológica detalhadamente, é a segunda dose, no final das contas, que garante três objetivos preciosos diante da ameaça que nos cerca: um volume maior de células defensoras, necessário para uma defesa realmente eficaz; uma resposta mais intensa contra um vírus que não está de brincadeira e uma especificidade maior também, isto é, a habilidade de não confundi-lo e, mais, acertá-lo em cheio.

Fico imune após a vacina, ainda assim posso transmitir a covid-19?
Sim. A Coronavac, vacina com a qual os brasileiros começaram a se imunizar a partir desta segunda-feira (18), conta com uma proteção global de 50,38%.

"Isso significa que é possível que ainda você seja infectado pelo Sars-CoV-2 mesmo tomando a vacina, mas será de uma forma leve, que não evoluirá para internação ou óbito. Mas mesmo quem tem sintomas brandos tem potencial de transmissão. A recomendação é que mesmo quem já tomou a vacina não tenha na cabeça que o imunizante é um passaporte definitivo de proteção e deixe de usar máscara e tomar outras medidas protetivas — como a higiene das mãos e o distanciamento social", aponta Álvaro Costa.

Gustavo Cabral, imunologista pesquisador da USP (Universidade de São Paulo)/Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo) e colunista do UOL VivaBem, esclarece que a transmissão pode acontecer pois, para desenvolver a doença no ser humano, o vírus se prolifera no organismo e cria uma carga viral alta.

"Se o sistema imunológico já tiver uma preparação prévia para enfrentar esse vírus, por exemplo por ter recebido uma vacina, o corpo vai lutar de maneira mais eficientemente para que esse vírus não prolifere ao ponto de adoecer. Porém, em muitos casos, nesse período de luta entre sistema imune e vírus, mesmo com uma carga viral baixa, o coronavírus pode ser transmitido para outras pessoas", explicou, em sua coluna.

Tomei vacina, preciso continuar usando máscara?
Sim. "Como, na vida real, fora do universo dos ensaios clínicos, a gente não sabe apontar quem são as pessoas que vão responder bem à vacina ou não, na prática continuam valendo as normas não só sobre o uso de máscara, mas sobre higienizar as mãos com frequência e manter o distanciamento mínimo de 1,5 metro de outras pessoas", explica a médica Karen Mirna Loro Morejón, infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP entrevistada por Lúcia Helena, colunista do UOL VivaBem.

Em média, as vacinas que estão chegando contra a covid-19 têm de 70% a 80% de eficácia, umas mais e outras menos. No caso da Coronavac, único imunizante atualmente disponível em solo brasileiro, a proteção é 100% garantida para casos graves e óbitos, mas quem tomou ainda pode pegar a covid-19 em forma leve e transmitir para outras pessoas, conforme explicado acima.

A não ser que queiram se arriscar — e, pior, arriscar a vida dos outros, caso contraiam o vírus —, elas devem seguir a vida com aqueles cuidados de sempre para frear a propagação da covid-19.

"Só quando a cobertura vacinal for alta, com 80% ou mais da população vacinada, é que poderemos tirar a máscara", explicou Rosana Richtmann, médica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, à jornalista Lúcia Helena. "Por isso que, se a gente quer mesmo arrancá-la, é tão fundamental que as pessoas não se recusem a vacinação. Quanto mais depressa elas forem vacinadas, mais rápido nos livraremos da máscara e de tudo."


Fonte: Do VivaBem, em São Paulo.
Autor: Giulia Granchi.